[Treino] Seth

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Mensagem por Led de Coma Berenices em Qui Maio 07, 2015 6:17 pm





     O sol subira no horizonte tornando o clima do Santuário de Atena ameno e confortável. Seth, por sua vez, ainda não se desacostumara com o frio do qual havia acabado de sair, portanto sentia-se levemente incomodado pela sensação de calor, diferente dos outros aspirantes a cavaleiro que, agora ao seu lado, inspiravam o ar para ganhar forças para o dia que viria.
     Sua noite fora tranquila. Ele sabia que tinha sonhado, porém não lembrava o quê. Acordou com uma sensação de alívio, talvez por ter descansado decentemente pela primeira vez. Seu primeiro gesto foi levantar e arrumar-se para o treinamento que iria começar, deixando Alexei para trás, ainda dormindo. Olhou seu relógio de bolso e viu que ele marcava quatro e meia da manhã, mas ele lembrava que seu relógio estava ajustado para outro lugar, o que o tornava mais uma espécie de amuleto do que um objeto para medir as horas.
     Passou um longo minuto fitando as marcas do relógio até parar o dedo na inscrição “Chao” em alto relevo. Perguntava-se que inscrição era essa, e quem poderia tê-la feito. Talvez isso pudesse revelar uma parte do seu passado, que ele ainda desejava descobrir. Agares, ao lhe encontrar, havia dito que tudo seria respondido ao seu tempo, mas Seth não gostaria de esperar um tempo tão grande para saber sobre sua própria vida. Ele tinha esse direito, afinal.
     Enquanto todos ainda acordavam, ele caminhou até um dos toaletes que se encontravam do lado de fora do quarto. Havia diversos banheiros dispostos pelo recinto para uso comum, mas todos fora do quarto, até onde Seth pudera perceber. Entrou no banheiro e trancou a porta, virando-se imediatamente para o espelho pregado na parede acima da pia.
     Sua aparência estava cansada. Em seu rosto ele podia ver marcas de batalha e pequenas cicatrizes que passariam despercebidas por olhos destreinados. Enquanto ficou naquele deserto de gelo ele só viu seu reflexo nos grandes mares de água ou quando o gelo estava molhado demais, o que formava uma espécie de espelho. Essa era, todavia, a primeira vez, desde que ele se lembrava, em que ele se via com tamanha definição. Sua barba estava por fazer, mas não tão grande, pois não tinha muitos pelos corporais. Fazia a barba esporadicamente naqueles últimos oito anos, sempre com a ajuda de algum objeto afiado e cortante, e sempre machucava seu rosto. Dessa vez, porém, não iria fazer a barba, deixaria como estava por enquanto.
     Passou a mão pelos cabelos desgrenhados e sem corte. Não era fácil, nem necessário, mantê-lo visivelmente bonito nos últimos oito anos. Agora, no entanto, poderia se arrumar um pouco mais, já que voltara à civilização, mesmo a contragosto.
Sua mão desceu para sua nuca e ele balançou a cabeça de um lado para o outro para estalar o pescoço. Aprendera durante aqueles anos que esse ato tirava seu corpo do estado de relaxamento, que se encontrava após acordar, através de um pequeno estresse no músculo. Isso o deixava psicologicamente pronto para o dia e lhe dava até mais disposição física.
     Tirou sua veste de treinamento e olhou para seu peito. Há oito anos acordara e, pela primeira vez que precisou retirar sua blusa, notou que tinha marcas em seu peito que já haviam sido feitas previamente. Marcas de corte que cicatrizaram e agora formavam queloides. Não lhe chamaria atenção em condições normais. Mas em seu peito havia uma frase.
     Ordo ab Chao.
     Seth ouviu uma batida na porta do banheiro e apressou-se em vestir sua blusa. Abriu a torneira e lavou o rosto com aquela água gelada que lhe fazia sentir-se de volta ao lugar de onde saíra. Estava pronto para o treinamento que lhe seria dado.

     Quando Ymir apareceu no fundo do salão os aspirantes a cavaleiro se ajoelharam. Seth, por instinto, iria ficar de pé novamente, mas dessa vez resolveu ajoelhar-se também. Deixando transparecer sua má-vontade.
     - Tenham um bom dia, aspirantes! – Ymir falou, sorrindo como se nada tivesse acontecido no dia anterior. – Hoje vai começar o primeiro dia de seu treinamento.
     Ele fez um gesto para que todos levantassem, e assim o fizeram. Em seguida começou a caminhar no meio dos aspirantes enquanto falava. Vestindo roupas normais Ymir parecia muito menos ameaçador do que quando trajava a armadura dourada de aquário, para Seth.
     - Existem algumas coisas que todos vocês devem saber – Ele começou. – A primeira é que dentro de cada um de vocês existe uma energia vital. Essa energia é chamada de cosmo. O cosmo é a energia do universo que vocês guardam dentro de si mesmos, e cada um possui um grau de cosmo diferente, que deve ser administrado e treinado para que se possa cada vez mais evoluir – Ele olhou de relance para Seth. – Alguns de vocês possuem um poder muito forte dentro de vocês. Digo isso porque eu, como um cavaleiro de ouro, possuo um dos maiores cosmos do Santuário de Atena, junto com meus outros companheiros dourados, e por isso posso sentir o poder dentro de cada um.
     Seth notou alguns aspirantes olharem para os lados, preocupados provavelmente com o fato de Ymir perceber que eles não tinham potencial suficiente para se tornarem cavaleiros.
     - Outra coisa que vocês devem saber – O cavaleiro de ouro continuou, ainda caminhando entre os aspirantes, que Seth contabilizara como aproximadamente trinta pessoas. – É que todos nós somos feitos da mesma partícula¹. Desde os seres humanos até as pedras e estrelas. Isso significa que todos os corpos são passíveis de serem destruídos, basta que se consiga canalizar a energia necessária. Cavaleiros de ouro possuem energia suficiente para destruir diversas coisas que sentirem vontade.
     Ele caminhou até o lado de uma pilastra e desferiu um soco com uma velocidade tão alta que tudo o que os aspirantes viram foi um borrão. Logo após a pilastra se desfez em diversos pedaços, que pareciam frágeis como penas.
     - Viram? – Os olhos dos aspirantes estavam arregalados. Seth percebeu que aquele homem era realmente muito forte, ou ele apenas aprendera a canalizar sua força interna de maneira magistral. – A facilidade que eu teria em destruir seus corpos nesse momento é tão grande quanto à facilidade que eu tenho em destruir esse pedaço de concreto, vocês sabem por quê? Simplesmente pelo fato de que eu consigo controlar o meu cosmo, e vocês não. Vocês aprenderão, com o tempo, que assim que controlarem seu poder interno vocês se tornarão mais fortes e rápidos, e seus corpos mais resistentes. E com o tempo poderão realizar feitos que, aos olhos das pessoas normais, parecerá algo sobrenatural.
     Ymir caminhou até outra pilastra e apoiou sua mão. De repente uma aura saiu de sua mão e, no instante seguinte, toda a pilastra estava congelada de tal forma que parecia quase transparente. Aos olhos assustados dos aspirantes, Ymir soltou sua mão e a pilastra se esfarelou completamente, se tornando pequenos pedaços de gelo no chão do salão.
    - Essa é uma habilidade que alguns de vocês têm, mas está reprimida – Mostrou um sorriso tranquilo. – E vocês aprenderão a liberá-la e controlá-la aqui comigo. Entretanto alguns de vocês não as têm, e é agora que veremos a distinção entre vocês.
     Seth sentiu a tensão aumentar por parte dos aspirantes. Alguns olhavam para as próprias mãos, como se pensassem se poderiam algum dia ser capazes de fazer aquilo que o cavaleiro de ouro acabara de fazer. Por sua vez, estava confiante. O fato de ter sobrevivido a um ataque de Ymir mostrava que ele realmente poderia ter o tal “sétimo sentido” dentro de si.
     - Ensinarei a vocês como controlar seu cosmo – O cavaleiro de ouro convidou, com um gesto, todos a se sentarem, e eles o fizeram. – Primeiramente quero que se concentrem. Fechem os olhos e respirem lentamente, deixem seus corpos relaxarem a ouçam apenas a minha voz.
     Seth sentou-se de pernas cruzadas e fechou os olhos. Apesar de estar relaxado, ele aprendera durante os últimos oito anos a permanecer num estado de vigília mesmo enquanto relaxava. Era como se ele dormisse com um olho aberto e outro fechado, pois qualquer barulho poderia acordá-lo.
     Concentrem-se apenas na minha voz. E Seth ouvia enquanto inspirava calmamente. Vocês possuem o poder do universo dentro de vocês, utilizem-se disso. Sua respiração se tornara mais lenta. Ainda estava em um estado de vigília, porém agora podia sentir-se mais tranquilo. Vocês podem romper os céus com seus chutes, cavaleiros. Lembrem-se disso. Seth começava a sentir uma energia percorrer seu corpo à medida que respirava. Podia, mentalmente, visualizá-la como vários feixes de luz correndo por suas veias, energizando cada pedaço de seu corpo.
     Aproximem suas mãos. Sintam a energia trocada entre elas. Agora relaxem, apenas inspirem e expirem… Vocês estão sentindo o cosmo dentro de vocês. Não se assustem com ele, deixe-o fluir por suas veias até chegar à ponta de seus dedos. Convidem essa energia a fazer parte de vocês, ela é sua aliada em tudo o que fizerem.
     Seth começava a sentir como se uma esfera de ar quente existisse entre suas mãos. Mesmo sem abrir os olhos, podia imaginá-la como uma forte esfera de luz azul, girando no ar no espaço entre seus punhos, isso lhe agradava, era uma sensação um tanto quanto agradável.
     Sintam toda a energia fluírem de vocês… A voz de Ymir estava calma, arrastada. Vamos, concentrem-se mais um pouco.
     A esfera entre os punhos de Seth agora parecia mais tangível. Ele sentia que poderia tocá-la com os dedos se assim quisesse. Mas apenas esperava enquanto ouvia a voz de Ymir em sua mente. Ele sentia como se estivesse em um estado de relaxamento profundo.
     Preparem-se… Concentrem-se… Ymir falava enquanto Seth sentia a esfera de energia aumentar. Sintam todo o seu poder, ouçam minha voz e façam o que eu lhes falar. Agora, canalizem toda essa energia e…
     SOLTEM!
     E o que aconteceu a seguir foi algo que Seth nunca imaginou que aconteceria…

Nota:
1)
O conceito usual de átomo só foi estabelecido em 1661 por Robert Boyle. Ele foi o primeiro a citar que todos os corpos eram feitos do mesmo material. Portanto, de acordo com a data do jogo, é extremamente improvável que esse conhecimento fosse difundido na Grécia naquela época, o que significa que o termo “átomo” no sentido de menor partícula indivisível da matéria existente em todos os corpos, não era conhecido pelos gregos. É perfeitamente normal, entretanto, que Ymir, através do raciocínio lógico, utilizasse as ideias de Demócrito (o primeiro a cunhar o termo átomo) que datavam de 450 a.C (e como era um conhecimento da Grécia Antiga, provavelmente teria sido passado por gerações) para perceber que todos os corpos são formados pela mesma partícula, infinitamente pequena.





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Mensagem por Led de Coma Berenices em Qua Maio 13, 2015 7:48 pm





     Mais de quinhentos anos antes do nascimento de Jesus Cristo um homem surgiu no planeta Terra. Filósofo e matemático, ele foi o responsável por diversos descobrimentos e conceitos que foram transmitidos através do tempo, de geração em geração. Sua inteligência era notável, de tal forma que seus conhecimentos ajudaram o mundo, modificando-o de maneira poucas vezes vista. Seu nome era Pitágoras de Samos, e ele foi o primeiro homem a utilizar o termo “cosmos”.
     Para ele o cosmos era o conjunto do universo, onde tudo se ligava, tornando-o uno. Pitágoras utilizava-se desse termo para designar o firmamento, e ele via o mundo como diversos modelos matemáticos que se somavam e multiplicavam, formando o universo que é conhecido.
     Pitágoras não poderia saber, entretanto, que seu termo seria utilizado para designar outra coisa. Com o passar dos séculos foi descoberta a existência dessa energia interna que todos possuem. Uma energia vital que fazem os seres serem ligados ao universo, caminhando todos num mesmo caminho, sendo parte de um mesmo princípio, o princípio da existência. A essa energia deu-se o nome de cosmo.
     Como poderia Pitágoras saber que a energia interna de cada ser vivo poderia ser, num futuro distante, controlada de maneira proposital e utilizada para realizar feitos que, em sua época, serviam apenas de exemplos metafóricos e de imagens mitológicas? Como poderia ele saber que existiriam cavaleiros com poder de romper estrelas utilizando o poder do cosmo? Ele não poderia. Ninguém imaginaria tal coisa nessa época.
     Essa é a alusão do universo de Seth. Há oito anos ele jamais imaginaria ser capaz de fazer tais coisas, de fazer o que havia acabado de fazer.
     Filho de família rica, acostumado com a vida ébria, Seth jamais saberia o que o futuro guardava para ele. Era apenas mais um jovem rico que não se importava com os pobres, o que ele poderia saber sobre a vida? Seu pai crescera em uma família pobre e enriquecera através de seu esforço como joalheiro. Manufaturava joias e utensílios de uso geral, como ampulhetas, monóculos, e relógios de bolso. Enriquecera através do uso de seu bom senso, de seus contatos e de sua honestidade, diferente do que acontecia na maior parte das vezes naquela época.
     Seu filho único, ao contrário, já crescera em berço de ouro. Apesar das tentativas de seu pai, ele jamais conhecera o outro lado da vida, jamais trabalhara, jamais recebera um “não” de alguma mulher, jamais fora tratado como um subordinado. E isso era uma decepção para seu pai. E por isso medidas drásticas precisaram ser tomadas, medidas das quais Seth não se lembrava.
     Ele jamais se lembraria do dia em que seu pai lhe chamou e conversou com ele sobre se tornar um cavaleiro de Atena para que pudesse dar valor à vida e às coisas que tinha. Jamais se lembraria da raiva que lhe tomou por saber que seu pai se decepcionava com ele a esse ponto. Jamais se lembraria de que, do seu lado, estava um homem que seu pai, através de seus contatos, chamara para ajudar-lhe a galgar esse objetivo.
     Ele não se lembraria, jamais, que teve um acesso de raiva e liberou uma energia imensa no escritório de seu pai, destruindo metade de um cômodo de sua casa, obrigando o homem que fora junto a apagá-lo com apenas um golpe na nuca. Jamais saberia que se encontrou com aquele homem oito anos depois, e que ele fora o responsável pela sua volta ao mundo da civilização.

     Seth acabara de explodir a esfera cósmica que havia contido em sua mão. Uma onda de energia imensa atingiu seu corpo de todos os lados e ele foi jogado para trás, tombando no chão e sentindo um frio descomunal por todo seu corpo.
     Ouviu uma gritaria e obrigou-se a abrir os olhos. Sua visão era exclusivamente do teto do salão, que começara a rachar em diversos pedaços e se desprender de sua armação. Viu, de relance, pelo canto dos olhos, pedaços de granito caindo por todos os lados e vultos de pessoas correndo. Uma gritaria atingiu seus ouvidos, fazendo-o estremecer. Não conseguiu, entretanto, levantar-se, apenas olhava para o teto e via mais um pedaço gigante desprender-se, caindo diretamente na sua direção. Tentou soltar um grito e fechou os olhos instintivamente, enquanto esperava seu corpo ser esmagado por aquele pedaço de pedra.
     O que ouviu, entretanto, foi um som de algo se movendo rápido como um chicote, e abriu os olhos na mesma hora que viu a pedra se despedaçar ao ser atingida por um raio de luz. Vários pedaços menores caíram ao seu redor, não lhe causando danos maiores.
     Em um instante toda a gritaria cessou e o silêncio tomou conta de todo o salão.
     - Você está bem? – Alexei abaixou ao seu lado e ajudou Seth a levantar-se, foi nesse momento que ele viu que estava com parte da superfície de seu corpo congelada, isso explicava o frio que estava sentindo. – Depois me agradece por salvar sua vida.
     Seth olhou para ele, que parecia estar fisicamente cansado. Seu rosto estava vermelho e ele suava. Aceitou a ajuda para levantar e perguntou a si mesmo, em silêncio, se aquele raio de luz fora obra de Alexei. Girou a cabeça e viu que o salão estava parcialmente destruído e alguns aspirantes ajudavam-se uns aos outros. Viu Ymir no outro canto da sala, de braços cruzados com um sorriso estampado no rosto.
     - Muito bem, senhores! – Ymir exclamou, abrindo os braços e congratulando a todos. – Estejam orgulhosos de si mesmos!
     Seth reparou que ele notou que os outros não estavam entendendo o que ele falava.
     - Vocês acabaram de descobrir o poder do cosmo dentro de vocês – Ymir caminhava, ajudando alguns a levantarem, e passando a mão no ombro de outros. – Como todos vocês explodiram, em maior ou menor grau, foi formada aqui uma onda cósmica decorrente da junção do poder de vocês, e isso causou certo grau de destruição, como vocês podem ver. Mas fico feliz que nenhum de vocês esteja morto nem machucado. Agora peço que todos se reúnam aqui para que eu dê as considerações finais.
     Todos se reuniram, ainda muito abalados pelo que acontecera, ao redor de Ymir, formando um círculo. Alguns não conseguiram manter-se de pé devido à fraqueza nas pernas e sentaram-se. Ymir encorajou todos a sentarem-se também.
     - Todos vocês sentiram seu poder – ele começou, girando o corpo para ver todos os cavaleiros ao redor dele. – Entretanto, nem todos continuarão conosco hoje, terei que dispensar os que não serão capazes de se tornar cavaleiros de ouro. Peço que não se sintam tristes por não terem a força necessária para isso, tenho certeza que vários de vocês poderão ser grandes cavaleiros de prata. Portanto chamarei alguns de vocês para que me acompanhem, vocês serão levados e poderão, se assim quiserem, passar por mais um teste para aspirantes a cavaleiros de prata ou de bronze, que são hierarquias menores, mas ainda assim poderosos defensores de Atena.
     A cordialidade de Ymir assustava Seth. Ele não tinha como saber se o cavaleiro de ouro estava sendo sincero ou se era apenas um jogo com as pessoas que ali estavam. E ele também não se importava. Tinha certeza de que conseguira manifestar bem seu cosmo e não seria escolhido por Ymir para treinar nos níveis inferiores da hierarquia.
     E realmente não foi. Dos trinta aspirantes a cavaleiros, apenas dez continuaram naquele salão parcialmente destruído. Ymir chamou os homens um a um e Seth pôde ver que alguns se sentiam aliviados, enquanto outros aparentavam estar profundamente chateados. Talvez o bônus de se tornar cavaleiro de ouro não compensasse, para os primeiros, todo o esforço e energia que seriam gastos. Para Seth, entretanto, compensaria bastante, afinal tudo o que ele desejava no momento era tornar-se mais forte principalmente depois de ver que Alexei, seu mais novo salvador, estava um passo a frente dele.
     - Parece que sobramos, hein – Alexei aproximou-se de Seth, dando-lhe um sorriso verdadeiramente alegre. – Fico feliz que tenhamos continuado, acredito que os treinos daqui em diante serão realmente difíceis.
     Ymir ainda descia as escadarias com os vinte aspirantes renegados, o que parecia para Alexei uma deixa para bater papo. Como alunos que conversam quando o professor sai de sala. Seth apenas olhou para ele e consentiu com a cabeça. Não passava por sua mente agradecê-lo por salvar sua vida, ele nem ao mesmo se lembrava da última vez que agradecera alguém. Além do mais, se fosse ao contrário ele não teria salvado Alexei, seria menos um para competir com ele.
     O que o incomodava, entretanto, era o fato de que o jovem loiro parecia mais forte do que ele. Ele já havia se sentido inferior em relação a Agares e a Ymir, mas era diferente. Agares era um demônio, ele estaria acima de qualquer limite humano, Seth sabia. Ymir, por outro lado, era provavelmente um dos humanos mais poderosos do planeta, afinal era um cavaleiro de ouro e, por consequência, seu mestre agora, por mais que Seth não gostasse dessa denominação.
     Com Alexei o problema era outro. Ele era seu competidor. Ambos estariam concorrendo para a armadura dourada de aquário, ambos nivelavam-se em idade. Era como se Seth tivesse encontrado alguém que pudesse realmente ameaçá-lo, ou talvez fosse tudo um problema psicológico. Essa sensação era um tanto quanto estranha para ele, pois nunca tinha sentido isso. Era de certa forma inveja da força que Alexei pareceu ter demonstrado, e um pouco de preocupação em não conseguir a armadura de ouro. Mas mesmo assim, ele passaria por cima de todos para conseguir o que queria. Não se importaria de assassiná-lo em uma luta se tivesse a oportunidade.
     - Você não fala muito… - Ele pareceu desapontado por não ter com quem conversar.
     Seth abriu a boca para falar algo quando foi interrompido por um homem que passou na sua frente pisando firme e apressado. Esbarrou no seu ombro e jogou-o para trás, fazendo Seth quase perder o equilíbrio. No mesmo momento seus punhos se fecharam e ele enrijeceu seu corpo, pronto para pular em cima do homem. Mas o homem não estava lá para falar com ele, e sim com Alexei.
     - O que pensa que está fazendo, seu merda? – Ele exclamou, botando a mão no peito de Alexei e empurrando-o. Atrás dele vinham mais dois homens, menores que ele e aparentemente mais calmos. – Você quer matar todos aqui?
     - Do que está falando? – Alexei dera um passo para trás, como se tentasse evitar um combate eminente.
     - Você é idiota? – O homem gritava, chamando atenção dos outros aspirantes, que se mantinham longe. – Você sabia muito bem que poderia destruir todo esse lugar com o seu poder e mesmo assim não hesitou em dispensá-lo! Não pense que eu não conheço você, Alexei. Eu sei o nível de poder que você esconde aí, fingindo ser apenas mais um aspirante a cavaleiro comum.
     O rosto de todos parecia paralisado. Alexei abrira a boca em sinal de protesto, mas nenhuma palavra saiu, ele apenas manteve sua calma e ouviu tudo o que o homem dizia.
     - Me surpreendo como Ymir ainda não se tocou de quem você é!
     Um silêncio sepulcral tomou conta de todo o salão. O homem, que tinha a altura de Seth, mas com um físico mais avantajado, estufava seu peito para mostrar autoridade enquanto cuspia suas palavras e agressões verbais ao homem à sua frente.
     O corpo de Seth continuava pronto para atacar. Não que ele estivesse com a intenção de defender Alexei, mas ele mataria aquele homem e aqueles outros dois cães de guarda se assim fosse preciso, simplesmente pelo prazer de matá-los.
     Alexei não reagiu aos insultos. Estava fisicamente cansado demais para entrar em uma briga e também estava sem paciência para aquilo. Aprendera em seu treinamento prévio a evitar qualquer tipo de confronto contra pessoas mais fracas, pois isso era desleal, e ele realmente acreditava nisso. Não enfrentaria aqueles três homens, pois um golpe seu poderia destruí-los em frações de segundos. Ele sabia disso, sabia de onde viera.
     Ele sabia que era mais poderoso que todos os outros aspirantes a cavaleiro de ouro naquele momento e sabia que poderia conseguir a armadura de aquário com mais facilidade. Afinal, para ele era praticamente uma questão de honra.
     - Fale alguma coisa! – O homem exclamou, dando um forte golpe no estômago de Alexei, que o fez curvar-se para frente e cuspir uma quantidade grande de saliva.
     O corpo de Seth tentou reagir instintivamente, mas Alexei estendeu a mão, fazendo um sinal de “pare”, o que o fez realmente parar. Seth soube que algo iria acontecer ali.
     Alexei estava curvado sobre o punho do homem, que esboçava um sorriso maldoso. Não poderia mostrar seu verdadeiro poder ali. Era verdade o que ele havia dito, de que Ymir não sabia quem ele era. Se soubesse, talvez seu treinamento seria diferenciado dos outros, ou talvez ele treinaria diretamente com o cavaleiro de ouro e não precisaria de outros aspirantes. Ele seria um excelente cavaleiro de aquário, afinal já passara por um teste parecido com esse antes.
     Seth viu o sorriso do homem desaparecer e uma expressão de temor surgir em seu rosto ao direcionar seus olhos na direção do corpo do loiro. A princípio Seth pensou que ele estivesse assustado por ter apagado ou até matado Alexei, mas não era esse o caso. Após um segundo ele pôde perceber o motivo daquela expressão.
     - Você tem razão – Alexei começou a dizer, levantando seu corpo e mostrando seu punho segurando o pulso do homem. – Talvez eu devesse ter me apresentado aos outros antes. Mas nunca é tarde.
     Seth, com espanto, viu a mão do homem, no lugar onde Alexei segurava, começar a congelar lentamente. O homem tentava puxar sua mão, mas ele parecia não ter forças suficientes. Em um instante a crosta de gelo subiu até a altura do ombro, espantando igualmente os outros aspirantes, inclusive os outros dois, que agora estavam a uma distância considerável, evitando entrar na briga.
     Alexei soltou a mão do homem e com um soco de mão aberta em seu peito, o fez voar para o outro lado do salão. Ele bateu de costas e caiu no chão, gemendo de dor e tentando recuperar os movimentos de seu braço, que agora estava no mínimo dormente.
     - Sinto muito a todos por não ter me apresentado – ele começou, olhando para todos. - Eu precisava que não houvesse nenhum receio da parte de vocês, para que pudessem dar o seu máximo sem a ideia de que a armadura de ouro já está garantida, o que não é uma verdade.
     Seth olhou para ele com espanto, não conseguia expressar nenhuma palavra.
     - Então agora, formalmente, me apresento a todos – O rosto de Alexei estava impassível, extremamente calmo, e ele sorria de canto de boca num sorriso amistoso. – Eu sou Alexei, o Cavaleiro de Bronze de Cisne.





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Mensagem por Aquário em Sab Maio 16, 2015 4:03 pm
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